"Você é o que escolhe ser. Escolha o amor." Isha

quarta-feira, 6 de março de 2013

A espiritualidade do desejo



Todos nós temos desejos. E se estamos em um caminho espiritual, que atitude devemos tomar frente a eles?


Muitas tradições espirituais interpretam o desejo como contraproducente, algo que deve ser controlado e conquistado para poder se chegar a experimentar a autorrealização desejada. Outras escolas de pensamento, tais como o positivismo, levam em conta a realização do desejo de ser como o objetivo mais alto do trabalho espiritual ou busca interna.

Eu lhes proponho um enfoque alternativo: abrace o desejo, para assim poder ver através dele e ir além.

Quando negamos um desejo, ele se torna maior, se magnifica. Sabemos o que acontece quando nos dizem: “não pense num elefante”, certo? Você não pode parar de pensar nele. Mas também é certo que se queremos experimentar algum nível de satisfação interior, temos que aprender a ir além dos caprichos da mente, que anda apegando-se a tudo no externo sem cessar e que nos leva constantemente a um sem fim de altos e baixos, de conquistas e decepções, de êxitos e fracassos.

A autorrealização é o maior desejo do coração. Assim como um adulto já não está interessado nos brinquedos que fascinam uma criança, a experiência que eu chamo “o amor-consciência” faz, de alguma maneira, que outros desejos percam sua força. E isto não acontece negando o desejo, mas a liberação se encontra ao descobrir seu verdadeiro sentir, o desejo mais puro, mais profundo: o desejo do coração. Então a obsessão e a necessidade natural que rodeiam satisfações externas perdem seus poderes.

O mundo em que vivemos existe para que o amemos. Está desenhado para que nós possamos viver essa experiência ao máximo, realizando nossa própria expressão, tão única e perfeita. Vamos celebrar a vida, exploremos nossos sonhos e aspirações, e ao mesmo tempo aprendamos a cultivar uma experiência interior que nos possa levar além daqueles, para poder assim estabelecer um espaço de estabilidade e aceitação de si mesmo desde o qual possamos ver a magia da existência humana e seu desenvolvimento.

Este é o caminho do tantra. Tantra é aceitar, é abraçar todos os aspectos, sem negar nada. É o caminho do amor incondicional porque se não podemos amar a nós mesmos tal como somos, com nossos desejos e sonhos, nossos amores e ódios, então ainda estamos colocando condições sobre nós mesmos.

Nossos desejos estão matizados pelas memórias armazenadas no subconsciente. Eles não são racionais, não podem ser removidos pelo pensamento racional. Qualquer tentativa de intelectualizar a saída do desejo, em última instância, terminará na negação.

Apesar de que intelectualmente você queira deixar ir o que já não lhe serve, o sistema de apoio da matrix pessoal é o que lhe controla desde um nível mais profundo. Mas “o amor-consciência” é mais poderoso que as programações subconscientes. Ao elevar a vibração do amor, ao alimentar essa experiência, a luz de nossa consciência começa a brilhar e as sombras de nossas obsessões e medos começam a desvanecer. Seguimos elevando nossa consciência, pouco a pouco, até que a vibração se converta em algo muito mais forte que a da programação. Então a situação se inverte. O intelecto deixa de controlar e se converte em um servo da consciência, uma ferramenta para que a experiência do amor e da confiança possa interatuar com o mundo e assim dar.

Abrace seus desejos. Abrace a si mesmo. A seus ressentimentos, a seus medos e inseguranças. E veja através deles! Abraçando-os você os estará amando e dissolvendo sua força no amor. Então, descubra a maravilha da consciência e você poderá fazer com que seu foco nela cresça.

Isha
mestra espiritual e autora de “Por que caminhar se você pode voar?”

  
Tradução: Fabiana Simões
Foto: utilizada no artigo original




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