Todos
nós temos desejos. E se estamos em um caminho espiritual, que atitude devemos tomar
frente a eles?
Muitas
tradições espirituais interpretam o desejo como contraproducente, algo que deve
ser controlado e conquistado para poder se chegar a experimentar a
autorrealização desejada. Outras escolas de pensamento, tais como o
positivismo, levam em conta a realização do desejo de ser como o objetivo mais
alto do trabalho espiritual ou busca interna.
Eu
lhes proponho um enfoque alternativo: abrace o desejo, para assim poder ver
através dele e ir além.
Quando
negamos um desejo, ele se torna maior, se magnifica. Sabemos o que acontece quando
nos dizem: “não pense num elefante”, certo? Você não pode parar de pensar nele.
Mas também é certo que se queremos experimentar algum nível de satisfação
interior, temos que aprender a ir além dos caprichos da mente, que anda
apegando-se a tudo no externo sem cessar e que nos leva constantemente a um sem
fim de altos e baixos, de conquistas e decepções, de êxitos e fracassos.
A
autorrealização é o maior desejo do coração. Assim como um adulto já não está
interessado nos brinquedos que fascinam uma criança, a experiência que eu chamo
“o amor-consciência” faz, de alguma maneira, que outros desejos percam sua
força. E isto não acontece negando o desejo, mas a liberação se encontra ao
descobrir seu verdadeiro sentir, o desejo mais puro, mais profundo: o desejo do
coração. Então a obsessão e a necessidade natural que rodeiam satisfações
externas perdem seus poderes.
O
mundo em que vivemos existe para que o amemos. Está desenhado para que nós
possamos viver essa experiência ao máximo, realizando nossa própria expressão,
tão única e perfeita. Vamos celebrar a vida, exploremos nossos sonhos e
aspirações, e ao mesmo tempo aprendamos a cultivar uma experiência interior que
nos possa levar além daqueles, para poder assim estabelecer um espaço de
estabilidade e aceitação de si mesmo desde o qual possamos ver a magia da
existência humana e seu desenvolvimento.
Este
é o caminho do tantra. Tantra é aceitar, é abraçar todos os aspectos, sem negar
nada. É o caminho do amor incondicional porque se não podemos amar a nós mesmos
tal como somos, com nossos desejos e sonhos, nossos amores e ódios, então ainda
estamos colocando condições sobre nós mesmos.
Nossos
desejos estão matizados pelas memórias armazenadas no subconsciente. Eles não
são racionais, não podem ser removidos pelo pensamento racional. Qualquer
tentativa de intelectualizar a saída do desejo, em última instância, terminará
na negação.
Apesar
de que intelectualmente você queira deixar ir o que já não lhe serve, o sistema
de apoio da matrix pessoal é o que lhe controla desde um nível mais profundo.
Mas “o amor-consciência” é mais poderoso que as programações subconscientes. Ao
elevar a vibração do amor, ao alimentar essa experiência, a luz de nossa consciência
começa a brilhar e as sombras de nossas obsessões e medos começam a desvanecer.
Seguimos elevando nossa consciência, pouco a pouco, até que a vibração se
converta em algo muito mais forte que a da programação. Então a situação se
inverte. O intelecto deixa de controlar e se converte em um servo da
consciência, uma ferramenta para que a experiência do amor e da confiança possa
interatuar com o mundo e assim dar.
Abrace
seus desejos. Abrace a si mesmo. A seus ressentimentos, a seus medos e
inseguranças. E veja através deles! Abraçando-os você os estará amando e
dissolvendo sua força no amor. Então, descubra a maravilha da consciência e você
poderá fazer com que seu foco nela cresça.
Isha,
mestra espiritual e autora de “Por que caminhar se você pode voar?”
Mais
em www.isha.com ou info@isha.com
Artigo
original: http://isha.blog.terra.cl/2013/02/18/la-espiritualidad-del-deseo/
Tradução:
Fabiana Simões
Foto: utilizada no artigo original
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