"Você é o que escolhe ser. Escolha o amor." Isha

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Qual é a bandeira que representa o verdadeiro poder?















Foto: Isha.

No outro dia eu estava tendo uma conversa com meu bulldog inglês, Elizabeth. Ela tem o nome de Sua Majestade a Rainha e, por vezes, de fato, confunde-se com a monarca. Nossas conversas são profundas e inteligentes, como se pode esperar de semelhante companheira real, assim que muitas vezes me espalha sua sabedoria, antes de lamber entretida algo que caiu sobre o tapete. Naquele dia, não me pergunte porquê, a conversa girava em torno das bandeiras. Claro, Elizabeth começou expondo a beleza simétrica e a elegância da bandeira Inglesa, mas ela ficou perplexa ao ouvir minha resposta, perguntando qual seria a minha bandeira. "Minha bandeira seria branca, eu respondi. "Mas", ela gaguejou, "Branca é a bandeira de rendição!" "Exatamente" - eu disse. "Minha bandeira seria branca, porque estou entregue e rendida à vida." Muitas vezes, a entrega é percebida por nós como um último recurso, como a admissão da derrota final, como desistir. E, de fato, a entrega é a chave para a liberdade.

"Mas será que a rendição não é sinônimo de passividade?", respondeu Elizabeth. Muitas vezes se confunde o significado da entrega com o ceder, ou ser passivo. No entanto, a entrega vem da alegria e do amor a si mesmo, não da subordinação ou da submissão. A entrega é abraçar cada momento, em vez de lutar contra o que está acontecendo. Ao entregarnos, não estamos admitindo a derrota, mas estamos lidando totalmente com a vida, reconhecendo plenamente nossas circunstâncias atuais. Quando nos entregamos, o amor se precipita, no entanto, quando lutamos, apenas perpetuamos o conflito. Quando o amor chega, a clareza também chega. Estamos abertos para ver todas as soluções possíveis para a situação que estamos tendo, em vez de lutar tenazmente pela forma em que pensamos que as coisas deveriam ser. Com a rendição vem o poder: o poder do amor, o poder da flexibilidade, a capacidade de ir com o fluxo do que a vida nos dá, ao invés de lutar contra ela.

Elizabeth inclinou a cabeça "Hmph! Mas render-se não significa renunciar a tudo o que eu estou buscando?" Ironicamente, nós temos essa idéia que, quando nos entregamos, perdemos nossa identidade, mas isso é exatamente o que temos a perder, a fim de encontrar a verdadeira liberdade. Não é engraçado? Ao longo de nossas vidas, nós nos esforçamos para manter a nossa individualidade, para defender as nossas crenças, nossas idéias, nossas convicções. Por quê? Porque acreditamos que somos frágeis. Tememos constantemente que algo nos possa acontecer, mas quando começamos a encontrar a liberdade interior, começaram a nos render. Percebemos que o que é realmente importante, é esse amor, essa paz, a capacidade de fluir. Que nossas idéias são apenas ilusões e que lutar por elas só nos faz sofrer. A chave da consciência é a entrega, e é a coisa mais fácil de fazer. É muito mais fácil do que combater.

Tente este exercício

A próxima vez que você se encontrar lutando para manter uma posição, solte. Experimente e verá que, ao fazê-lo, você pode experimentar a paz que vem. Em um instante, quando se escolhe por deixar ir, a paz nos envolve. A resistência não pode trazer a paz. É através da entrega que se encontra a calma. Quando você luta, você perde e, quando solta, sempre ganha. Ancore-se no momento presente e se concentre no amor incondicional, ou no amor-consciência, que está dentro de você. Então, pergunte a si mesmo uma pergunta simples: O que está errado agora? Existe algo muito errado, ou esse sentimento está ligado a uma idéia?

Penso em quantos anos de minha vida foram passados lutando. Lutando para estar certa, lutando para ser aprovada. Mesmo lutando para mudar o mundo! Nossa sociedade está sempre brigando, discutindo, debatendo. Acreditamos que a paz é o ideal, mas, na realidade, somos alimentados por conflitos, tanto em nossas vidas pessoais, como em escala mundial. Quando conseguimos experimentar a realização interior, abrimos mão de nossas idéias do que precisamos para ser felizes. Quando deixamos de acreditar na opinião de nossa compreensão de como as coisas deveriam ser, encontramos a magia do desconhecido. Portanto, estamos de pé em uma sala sem paredes, com nossos corações abertos para receber a abundância do universo, e você tem o maior de todos os tesouros: a liberdade do medo e da inocência de perceber a perfeição em tudo.

Minhas conversas com Elizabeth são muitas vezes surreais, às vezes esclarecedoras e sempre divertidas. Mas, na verdade, apesar de sua realeza, Elizabeth é a entrega em pessoa. Ela se banha na perfeição do momento e sua capacidade de adormecer nas posições mais difíceis é um exemplo admirável.

Todos os animais são entregues à sua realidade como ela é, e é aí que reside a sua incrível capacidade de fluir com a vida. Nós todos podemos aprender uma coisa ou duas sobre a entrega, observando os animais que nos rodeiam.

Fonte: Blog Isha nos habla
Tradução: Gláucia Jordânia

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